Uma agência de e-commerce custa, no Brasil, entre R$ 3 mil e R$ 30 mil por mês, e essa faixa é tão larga porque o que se chama de “agência” vai de um freelancer com dois estagiários a um time multidisciplinar completo. Pra uma loja faturando de R$ 500 mil a R$ 1 milhão por mês, o valor que costuma fazer sentido fica entre R$ 8 mil e R$ 25 mil mensais, e o que define se isso é caro ou barato não é o número, é o que está dentro do escopo. Este texto mostra como comparar.
Importante separar duas coisas que sempre se confundem na proposta: o fee da agência paga a estratégia e a execução, a verba de mídia é dinheiro que vai pras plataformas de anúncio. São linhas diferentes do orçamento, e agência que mistura as duas na apresentação está dificultando sua comparação de propósito.
Faixas de preço por porte de operação
| Faturamento mensal | Fee mensal típico | Escopo que costuma caber |
|---|---|---|
| Até R$ 200 mil | R$ 3.000 a R$ 8.000 | Um ou dois canais, execução focada, pouca estratégia |
| R$ 200 mil a R$ 500 mil | R$ 6.000 a R$ 15.000 | Mídia completa, começo de conversão e retenção |
| R$ 500 mil a R$ 1 milhão | R$ 8.000 a R$ 25.000 | Operação completa: aquisição, conversão, retenção, dados |
| Acima de R$ 1 milhão | R$ 20.000 a R$ 50.000+ | Time dedicado, governança, múltiplas frentes simultâneas |
Uma referência que ajuda a calibrar: é comum que o custo total de marketing, somando fee e verba de mídia, fique entre 12% e 20% do faturamento numa operação saudável. Se a soma passa muito disso, ou a operação está ineficiente ou a margem do negócio não comporta o crescimento no ritmo pretendido.
Os modelos de cobrança e o incentivo escondido em cada um
Fee fixo mensal. Valor combinado independente do resultado. É o mais previsível pra planejar caixa e o mais comum. O ponto de atenção é que não cria incentivo automático de performance, então a cobrança de resultado precisa vir do acordo de metas, não do modelo.
Percentual sobre a verba de mídia. Costuma variar entre 10% e 20% do investimento em anúncio. O problema é evidente: a agência ganha mais quando você gasta mais, mesmo que a decisão mais lucrativa seja gastar menos e melhorar conversão e retenção. Nesse modelo, sugestões de aumentar verba precisam ser lidas com um filtro a mais.
Fee mais variável por resultado. Base fixa somada a um percentual sobre receita ou sobre meta batida. É o modelo mais alinhado, desde que a métrica variável seja receita ou margem, e não faturamento bruto atribuído no painel, que é fácil de inflar.
Percentual puro sobre faturamento. Raro e arriscado pros dois lados. A agência recebe por venda que aconteceria de qualquer jeito, e você paga mais justamente nos meses de sazonalidade em que o mérito não é dela.
O que precisa estar no escopo
No seu porte, uma proposta que só cobre mídia está incompleta, porque tráfego pago sozinho não resolve estagnação. O escopo mínimo de uma operação completa inclui:
- Aquisição: gestão de mídia paga nos canais relevantes, mais o trabalho de SEO, que reduz a dependência de leilão ao longo do tempo
- Conversão: análise e otimização da loja, checkout, página de produto e oferta, porque é o que multiplica o retorno de todo o tráfego que você já paga
- Retenção: CRM, e-mail e WhatsApp, o canal de menor custo de venda da operação
- Criativo: produção em ritmo constante, principalmente se Meta e TikTok fazem parte do plano
- Dados: rastreamento auditado, indicadores de negócio e rotina de decisão
Se o orçamento não cobre tudo isso de uma vez, o caminho honesto é priorizar por impacto em vez de espalhar fino. Numa loja com conversão baixa, começar por conversão e retenção costuma render mais que aumentar verba de mídia, e a agência que te diz isso na proposta comercial, abrindo mão de vender mais gestão de tráfego, está mostrando o tipo de conselho que você vai receber depois.
O que precisa estar no contrato
| Item | Por que importa |
|---|---|
| Propriedade das contas e dos dados | Contas de anúncio, analytics e base de clientes têm que ser suas. Se estão no CNPJ da agência, você é refém na hora de trocar |
| Metas acordadas por indicador | Sem meta, não existe cobrança possível, só opinião sobre o mês |
| Quem toca a conta no dia a dia | Evita o padrão de vender com o sócio e entregar com o júnior |
| Prazo de fidelidade e regra de saída | Fidelidade de 12 meses sem cláusula de performance é risco só seu |
| Rotina de reunião e formato de relatório | Define o ritmo de gestão, não só a entrega |
A propriedade das contas merece destaque porque é o erro que mais custa caro e só aparece na hora da separação. Já vi operação perder anos de histórico de campanha e a base de clientes inteira porque tudo estava sob a conta da agência anterior. Esse item se resolve com uma frase no contrato e evita um problema que não tem conserto depois.
Como saber se o preço faz sentido
A conta é direta. Some o fee anual e pergunte quanto de receita adicional aquilo precisa gerar pra se pagar. Uma agência de R$ 15 mil por mês custa R$ 180 mil no ano. Numa loja com margem de contribuição de 35%, ela precisa gerar cerca de R$ 515 mil de receita nova pra empatar. Sobre um faturamento anual de R$ 9 milhões, isso representa menos de 6% de crescimento.
Colocado assim, a pergunta muda de “está caro?” pra “acredito que esse time entrega 6% de crescimento?”. E aí a comparação deixa de ser entre propostas e passa a ser sobre método, gente e histórico.
O outro lado da conta também vale. Montar internamente a mesma cobertura, com gestor de tráfego, analista de conversão, alguém de CRM, produção de criativo e uma liderança que amarre tudo, dificilmente sai abaixo de R$ 35 mil mensais somando salários, encargos e ferramentas, e ainda depende de você conseguir contratar e reter cinco perfis diferentes.
Sinais de que o preço está errado
Barato demais. Proposta de R$ 2 mil pra gerenciar uma operação de R$ 700 mil mensais significa que a conta vai receber poucas horas de atenção por semana, provavelmente de alguém em início de carreira dividindo o dia entre muitos clientes. O custo real não é o fee, é o resultado que deixa de acontecer.
Caro sem escopo correspondente. Fee alto se justifica por time e amplitude, não por marca. Se a proposta cobra valor de operação completa e entrega só gestão de mídia, o preço está errado independentemente do número.
Preço sem diagnóstico. Agência que passa proposta sem olhar sua conta, sua loja e seus números está chutando escopo. Um diagnóstico antes da proposta é o mínimo, e é também a primeira amostra grátis do jeito que ela trabalha.
Um cenário concreto
Uma loja de casa e decoração com R$ 620 mil mensais recebeu três propostas: R$ 4 mil, R$ 11 mil e R$ 19 mil. A de R$ 4 mil cobria gestão de Meta e Google. A de R$ 19 mil cobria tudo, incluindo conversão e retenção, com time nomeado. A de R$ 11 mil ficava no meio, com mídia completa e o começo de CRM.
A escolha inicial foi a mais barata, decisão compreensível de quem olha custo. Em oito meses o faturamento não saiu do lugar, e o motivo era o que a proposta barata não cobria: a conversão da loja estava em 0,7% e a recompra era quase nula. Nenhuma otimização de campanha resolveria isso, porque o problema não estava na campanha.
Na segunda contratação, com fee de R$ 18 mil e escopo completo, o faturamento chegou a R$ 940 mil em treze meses com a verba de mídia praticamente igual. A agência barata não tinha saído cara pelo fee, tinha saído cara pelos R$ 300 mil mensais de crescimento que não aconteceram enquanto o tempo passava.
As perguntas que valem fazer antes de assinar
- Quem exatamente vai tocar minha conta, e quantos clientes essa pessoa atende
- Quais indicadores de negócio vocês assumem como meta, e o que acontece se não forem batidos
- As contas e os dados ficam no meu nome
- O escopo cobre conversão e retenção ou só aquisição
- Como é o relatório mensal, e ele mostra margem ou só receita atribuída
- Me mostra um caso de cliente do meu porte, com o antes e o depois em número
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