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Avaliar quem cuida da sua mídia paga não exige que você aprenda a configurar campanha. Exige que você saiba ler cinco números e fazer quatro perguntas. A maioria dos donos de e-commerce fica refém do fornecedor porque aceita ser avaliado pelo painel dele, e painel foi feito pra mostrar que a plataforma funciona, não pra mostrar se o seu negócio ficou mais lucrativo. Este texto te dá o critério.

Os cinco números que o relatório precisa mostrar

Indicador Por que importa
Resultado separado entre marca, remarketing e aquisição Sem essa separação, o número consolidado não significa nada, porque mistura venda nova com venda que já era sua
CAC de cliente novo É o que diz se você está crescendo ou comprando de volta quem já tinha
Receita líquida de devolução e cancelamento O painel conta a venda no pedido, não no que sobrou
Margem de contribuição por campanha ou categoria Campanha com receita alta e margem baixa pode estar crescendo faturamento e encolhendo lucro
Aprendizado do mês O que foi testado, o que se descobriu e qual a próxima hipótese

O quinto item parece menos técnico que os outros e é o mais revelador. Gestão boa de mídia é uma sequência de hipóteses testadas. Se o relatório não mostra o que se aprendeu, provavelmente nada foi testado, e a conta está sendo apenas mantida.

Se o que você recebe hoje é um relatório com impressões, alcance, cliques e um ROAS geral, você não está sendo informado, está sendo apresentado. Peça a troca e observe a reação, porque ela já responde bastante.

As quatro perguntas que revelam competência

“Qual o nosso ROAS mínimo, considerando nossa margem?” Se o gestor não sabe sua margem de contribuição, ele não tem como saber se a campanha vai bem. É a pergunta que mais rápido separa quem opera o painel de quem entende o negócio.

“Quanto da receita atribuída vem de gente que buscou nossa marca?” Quem não entende a pergunta ou responde que isso não faz diferença vai te mostrar resultado inflado por meses. Numa operação madura, essa separação é básica.

“Quantos criativos novos entraram este mês e o que aprendemos com eles?” Com o algoritmo assumindo a entrega, criativo virou a principal alavanca. Poucas peças rodando por muito tempo significam saturação e queda garantida.

“O que está fora da mídia e está atrapalhando o resultado?” A resposta mais valiosa que um gestor pode dar. Quem aponta conversão baixa, frete caro ou falta de retenção está olhando o negócio. Quem diz que está tudo certo do lado dele e o problema é o mercado está se protegendo.

Sinais de alerta

  • A resposta pra qualquer problema é aumentar verba. Especialmente grave se sua conversão é baixa, porque aí ampliar investimento só amplia o desperdício
  • Ninguém sabe explicar uma queda. “O algoritmo mudou” não é diagnóstico, é o que se diz quando não se investigou
  • Contas no CNPJ do fornecedor. Você fica refém e perde histórico ao trocar. Se for esse o caso, resolva agora, não na hora da separação
  • Nenhum teste rodando. Conta parada é conta sendo mantida, não gerida
  • ROAS subindo e faturamento estável. Combinação clássica de verba migrando pra remarketing e marca, o que melhora o painel e não faz o negócio crescer
  • Relatório sempre positivo. Nenhuma operação acerta todo mês. Quem nunca reporta um teste que falhou está selecionando o que te mostra

Quando o problema não é o gestor

Vale a honestidade nas duas direções, porque trocar de gestor sem entender a causa costuma repetir o problema com um custo de transição no meio.

Se a conversão da sua loja está abaixo de 1%, nenhuma otimização de campanha vai resolver, você está pagando caro pra levar gente até uma porta emperrada. Se sua taxa de recompra é quase nula, seu LTV é baixo e você não consegue pagar o que os concorrentes pagam no leilão, e isso não é falha de quem opera a mídia. Se o rastreamento nunca foi implementado corretamente, o algoritmo aprende errado e o gestor trabalha com dado ruim.

Em todos esses casos, o gargalo está fora do gerenciador. Um bom profissional aponta isso mesmo sabendo que a solução não passa por ele, e essa disposição é justamente o que você quer identificar.

A avaliação trimestral que resolve

Uma vez por trimestre, monte a comparação abaixo com dados do período contra o mesmo período do ano anterior:

  • Verba investida
  • Receita líquida atribuída à aquisição de cliente novo
  • Número de clientes novos
  • CAC de cliente novo
  • Margem de contribuição gerada pela mídia

A leitura é direta. Se a verba cresceu mais que o número de clientes novos, a eficiência caiu. Se o CAC subiu mais que o seu tíquete ou seu LTV, a operação está indo pro lugar errado, mesmo que o ROAS do painel esteja igual. É uma tabela de cinco linhas que substitui qualquer discussão sobre configuração de campanha.

Um cenário concreto

Uma loja de casa e decoração com R$ 690 mil mensais estava havia oito meses com o mesmo gestor, recebendo relatórios com ROAS entre 4,5 e 5,2, sempre estáveis, sempre apresentados como bom resultado. O dono desconfiava sem conseguir formular a crítica.

A tabela trimestral contra o ano anterior mostrou o quadro: verba 34% maior, clientes novos 6% maior, CAC 41% mais alto. O ROAS tinha se mantido estável porque a participação de marca e remarketing na conta tinha crescido, compensando no relatório a queda de eficiência na aquisição real.

A conversa que se seguiu não foi sobre demissão, foi sobre escopo. Ficou claro que boa parte do problema estava fora da mídia, na conversão da loja e na ausência de retenção, e que o gestor nunca tinha sido cobrado por esses números porque ninguém os tinha colocado na mesa. O acordo novo incluiu os cinco indicadores no relatório mensal e um plano conjunto com quem cuidava da loja.

Nem sempre a resposta é trocar. Muitas vezes é mudar o que se cobra.

O resumo

Peça relatório em indicador de negócio, não em painel. Faça as quatro perguntas pelo menos uma vez. Monte a tabela trimestral. E preste atenção especial em quem te aponta problemas que estão fora do escopo dele, porque esse é o comportamento mais raro e o mais valioso que existe num fornecedor de mídia.

Se quiser aprofundar cada canal, os guias de Google Ads e Meta Ads para e-commerce detalham o que esperar de cada um.

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